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Foto: Getty
Foto: Representação/ Instagram @miketyson

Quando anunciaram a luta entre Mike Tyson e Jake Paul, inicialmente fiquei feliz. Vi o duelo como uma oportunidade de assistir ao maior nome dos esportes de combate de todos os tempos, já que não tive a chance de vê-lo em seu auge. Contudo, após a confirmação de que será uma luta profissional e não um simples sparring, como foi a mais recente luta de Tyson, passei a ficar receoso.

Meu receio quanto à luta de Tyson não se deve ao perigo apresentado por Jake. Não que Jake seja um lutador ruim; ele é competente. Mas, se Tyson estivesse no auge, não haveria discussão: a luta terminaria no primeiro minuto com um nocaute avassalador. Infelizmente, esse não é o caso. Meu medo vem das condições físicas de Tyson e das regras da luta.

Estamos falando de um ex-campeão mundial dos pesos pesados com 50 vitórias, sendo 44 por nocaute, mas também de um senhor de 58 anos que, há dois anos, estava em uma cadeira de rodas por problemas nas costas. Você apostaria seu dinheiro nesse senhor em uma luta contra um jovem de 27 anos, com 10 lutas de boxe, 9 vitórias e 6 nocautes, tendo derrotado o ex-campeão do UFC Tyron Woodley, o duríssimo Nate Diaz e o lendário Anderson Silva? Se você disser que sim, você é maluco! Não existe narrativa para acreditar, nem no cinema o velho “Rocky Balboa” venceu o jovem “Mason Dixon”.

Não se deixe enganar pelos vídeos promocionais de 30 segundos onde Tyson aparece batendo manopla e lembrando dos seus dias de glória; nos esportes de combate, a força da juventude é um superpoder. Veja o caso da luta entre Vitor Belfort e Evander Holyfield. Apenas 14 anos de diferença fizeram Vitor, de 44 anos, parecer um assassino contra o vovô Holyfield. Foi triste de ver.

Só acreditamos que Mike pode vencer porque Tyson é Tyson. Ele é o maior nome do mundo das lutas, acima de Muhammad Ali, Conor McGregor e até Bruce Lee. Todos nós vimos Tyson botando alguém para dormir em algum momento, seja nas madrugadas dos anos 90 ou pelos vídeos de highlights no YouTube. Quem ama luta, ama Tyson. Ele é uma espécie de nosso super-herói, e não suportamos a ideia de vê-lo cair. É triste, mas tudo aponta que isso acontecerá no dia 20 de julho, exceto por algumas hipóteses levantadas na coletiva de ontem, dia 16 de maio.

Na coletiva, Mike iniciou uma série de provocações, debochando do porte físico de Jake Paul e questionando se o youtuber estava treinando:

“Eu não sei se ele está no auge. Ele deveria estar forte e saudável. Ele está gordo e com medo. Eu o vi sem camisa outro dia e ele está gordo. Você já começou a treinar?”, indagou Mike, levantando a ideia de que Paul está com medo.

“Buster Douglas era gordo, estou certo? Vou acabar com você mais rápido do que ele acabou”, respondeu Jake rapidamente, mencionando a primeira derrota de Tyson para Buster Douglas, que chocou o mundo do boxe ao nocautear o então campeão mundial em fevereiro de 1990.

Olhando de fora, essas falas soam como provocações vazias, puro trashtalking para promoção. Mas, se analisarmos, uma das únicas chances de Mike equilibrar a diferença de idade é se Jake entrar de salto alto achando que já ganhou e não se preparar corretamente. Se Paul estiver acima do peso e não estiver treinando, como Tyson alega, as coisas começam a ficar mais balanceadas. Porque um youtuber destreinado vira só mais um “Bambam da vida”. E contra um “Bambam da vida”, minhas fichas estão no Tyson.

Outra hipótese que aumentaria as chances de Mike é Jake Paul estar com medo. No mundo da luta, o único vilão pior que a idade é o medo. Jake com certeza conhece a história de Tyson. Se ao subir no ringue, olhar para o outro lado e pensar “caramba, é o Tyson”, já era. Ele correrá grandes riscos de ser mais uma vítima.

Embora exita uma grande diferença de idade entre os lutadores, este combate não será apenas mais um evento de exibição, pois foi confirmado que o resultado contará para os registros profissionais de ambos os lutadores. A luta terá a possibilidade de ser decidida por “knockout”, o que aumenta a expectativa em torno do desfecho do confronto. Os combatentes enfrentarão oito rounds, cada um com a duração de dois minutos, e estarão equipados com luvas de 400 gramas. Contrariamente aos rumores iniciais, não será obrigatório o uso de equipamento de proteção na cabeça, o que sugere uma abordagem mais tradicional e possivelmente mais intensa ao combate.

Foto: Getty

O duelo acontecerá no dia 20 de julho, no AT&T Stadium, em Arlington, no Texas. A transmissão será na plataforma Netflix, e até lá a Revista Lutas trará novidades sobre esse confronto de gerações que vem chamando bastante atenção do público.